Modelos da diversidade humana

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Transgêneras, modelos da diversidade
Andreja Pejic, da Bósnia com glamour.
O caótico processo pelo qual vai se revelando a (bio)diversidade de gênero e de sexo existente no mundo dos humanos também vai derrubando preconceitos  -gerados na ignorância de nós mesmos, do desconhecimento daquilo que somos. O assunto parece estar de moda e, precisamente, o universo da beleza e da moda está se abrindo cada vez mais para abraçar a diversidade. Um exemplo disso é o sucesso obtido pela modelo transgênera Andreja Pejic que acaba de assinar contrato com a gigante francesa da maquiagem Make Up For Ever para ser a nova garota-propaganda da grife.

Nascida na Bósnia há 23 anos, firmou-se na moda como o top andrógino Andrej Pejic, estrelando campanhas de grandes marcas como Jean Paul Gaultier e Marc Jacobs após ter ganhado destaque ao ser confundido com uma mulher em um desfile em 2010. No início de 2014 ela realizou uma cirurgia de mudança de sexo  nos Estados Unidos e já no poderia ser mais confundida. Acrescentou a seu nome a feminíssima vogal a e desde então assina como Andreja.   

Hoje Andreja conta: "há cerca de um ano e meio, eu reavaliei as coisas. Fiquei orgulhosa da minha carreira de gênero não-definido, mas o meu maior sonho era me sentir confortável com o meu próprio corpo", disse em entrevista à revista Style. "Fiquei feliz de ter chegado o momento e fiz". O novo contrato com a Make Up For Ever faz de Andreja a primeira transexual a estrelar uma campanha global no segmento de maquiagem.

Transgêneras são modelos da diversidade
Lea T, emergindo do Brasil para o mundo. 
Já o novo rosto da marca de produtos para o cabelo Redken, ligada à francesa L'Oreal, é a modelo transexual brasileira Lea T, que empresta sua bela cabeleira para promover uma nova linha de tinturas. Pela primeira vez a brasileira faz propaganda para uma marca de cosméticos.

Lea T ganhou destaque ao ser a escolhida da Givenchy para uma campanha em 2010 e a partir dai foi se firmando em seu trabalho até chegar a ser nomeada como uma das 12 mulheres que mudaram a história da moda italiana segundo a revista norte-americana Forbes. A publicação salientou que a importância da brasileira está no fato dela ter sido a primeira transgênero a ser fotografada por uma grande grife mundial.

A mineira é conhecida por seu papel de destaque na grife Givenchy, sendo uma das maiores modelos internacionais do momento. Ela já apareceu nua na capa da Vogue francesa, luxuosamente vestida na capa da Elle e foi imortalizada na capa da Love anunciando um provocativo ensaio feito junto à veterana atriz Kate Moss.

Transgêneros são modelos de diversidade
Lea T na capa da Elle. Luxo total. 
O professor de psicologia do consumidor da Universidade de Roma, Bruno Maria Mazzara, explicou que "a escolha de uma modelo transexual reflete a mudança cultural em curso. O anúncio tem como objetivo agitar as coisas para falar a tantas pessoas quanto for possível".

Falar parece ser uma coisa menor porém não é. Ensaiar com amigos, colegas, vizinhos ou parentes uma conversa franca, honesta, livre de preconceitos quando o assunto somos nós mesmos é a melhor ferramenta que temos os humanos para descobrir-nos e conhecer-nos. Todos e cada um somos todos um. Cada um tem tudo o que o outro tem só que processado de modos diversos. Fazemos parte de um tecido quântico de informação que, em cada espírito e cada corpo individual é organizado de infinitas formas. 

Falar abertamente do que sentimos e pensamos sobre sexo, gênero, diversidade tal como se fala de futebol, de música ou do clima pode ajudar muito a nos compreender melhor a nós e ao mundo no qual vivemos. Poder ver nos outros esses modos diferentes de ser e estar nesta vida, compara-los com a maneira com que a gente está estruturada pode permitir nos reconhecer, saber mais e melhor sobre nós e, em conseqüência, tomar decisões mais certeiras na procura de nossa plena realização. 

Ao final, é como se cumprimentavam os maias quando no caminho se deparavam com um desconhecido: in lak'ech (que quer dizer eu sou outro você). E isso é, segundo o professor Mazzara, o que pode promover a inclusão no âmbito da modelagem de pessoas de gêneros ou sexos diversos: una profunda mudança cultural. De compreensão, de aceitação, de amor consciente e incondicional para todos e tudo. Uma mudança de paradigma que ecoa inclusive no conservador e luxuoso mundo da moda, tão atrelado aos interesses e às regras espúrias do mercado. Podemos achar um paradoxo mas, como se sabe, Deus escreve por linhas tortast 
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Beatles a la Di Meola

domingo, 26 de abril de 2015


Foi amor à primeira audição. O som total dos Beatles encantou a Al Di Meola ainda criança e foi o responsável pela sua vontade de aprender música. Com o disco All Your Life, gravado nos míticos estúdios de Abbey Road e editado em 2013, o guitarrista americano expressa toda sua gratidão a seus "padrinhos". As canções dos Fab Four são interpretadas em versões acústicas recheadas dos floreados flamencos e fraseado intrincado que são marcas registadas de Di Meola -referência fundamental do jazz latino e de fusão. Ao contrário de muitas reinterpretações jazzísticas, ele opta por preservar as harmonias e melodias originais, mantendo os temas plenamente reconhecíveis e refazendo antes a sua identidade rítmica.

O vídeo embaixo traz uma amostra grátis da apresentação do disco em Varsóvia (capital da Polónia), com duas pérolas assinadas por Lennon e McCartney: a badalada A Day in the Life (do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, 1967), e a popularíssima Eleanor Rigby (álbum Revolver, 1966). Di Meola é acompanhado pelo francés Kevin Seddiki (segunda guitarra acústica), o italiano Fausto Beccalossi (sanfona) e o marroquino Rhani Krija (percussão), uma banda multicultural própria dos novos tempos e expressão do ecumenismo musical que distingue a Di Meola. Dei-lhe play ao vídeo e desfrute.



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Te consideras inteligente?

quarta-feira, 22 de abril de 2015

“Linocencia que deviene de una profunda experiencia de vida es semejante a la de un niño, sin ser infantil. La inocencia de los niños es bella pero ignorante. Ella será sustituída por desconfianza y duda a medida que el niño vaya creciendo y le vayan enseñando que el mundo puede ser un lugar peligroso y amenazador. Sin embargo, la inocencia de una vida plenamente vivida tiene un algo de sabiduría y de aceptación de la vida en eterna mudanza, en permanente cambio... 

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O índio além do Facebook

sábado, 18 de abril de 2015


A foto que você está vendo aí é de um casal de índios botocudos num registro feito pelo pesquisador e expedicionário Walter Garbe em Cachoeiro de Santa Leopoldina, Espírito Santo, Brasil, el 13 de julho de 1909. Um documento histórico publicada na fanpage do Ministério de Cultura e insolitamente censurado por Facebook.

Depois que o ministro Juca Ferreira anunciou que vai processar à rede social e a repercussão que o caso teve na mídia, Facebook voltou atrás e republicou a foto num intento de diminuir o custo do episódio e evitar assim um debate inconveniente. Acontece que, bloqueando a foto, Facebook ensaiou um ato pseudo-moralista ao mesmo tempo que mantém milhões de páginas de pornografia e prostituição contra os reclamos e as denúncias permanentes de seus usuários.

Enquanto Facebook não tem problema em participar do lucrativo negócio do sexo via internet, censura um documento fotográfico mandando os índios sumir de seu território virtual do mesmo modo em que ainda se pretende retirá-los de seus territórios reais, a terra que sempre lhes pertenceu em América por dádiva de Deus e que os europeus invadiram e cercaram outorgando-se a si mesmos os falsos títulos de propriedades.
Índios do Xingú com o Marechal Rondon, sertanista e indigenista brasileiro.
O espolio continua hoje, principalmente da mão do agronegócio que procura, com entusiasmo digno de melhoras obras, dispor de grandes extensões de terras para seus cultivos de alta escala e ganhos milionários. Em verdadeiros atos de pirataria viabilizados por modernos mecanismos de grilagem, os empresários arrebatam as terras que as comunidades indígenas jamais usaram nem usarão para negócio algum e sim para viver e vivenciar, com espírito pacato e pacífico, a rara experiência de passar por este mundo.

A ofensa gratuita que a empresa do garotão bilionário Mark Zuckerberg desferiu a uma parte tão cara e sagrada de nossa humanidade, como são os povos originários de  nosso Brasil e nossa América, não foi a primeira nem será a última. Porém, esse curso de águas agitadas e turvas vai sendo cada dia mais iluminado e seu itinerário vai nos revelando verdades que já não podem ser mais ocultadas. 

O episódio da publicação, a desaparição e a posterior ressurreição dessa foto -que nos revela uma Eva e um Adão de todos os tempos-  é um presente, um sinal da imortalidade magnífica da verdade. A presença inalterada do índio está aí para nos lembrar quem somos, qual é a vida que podemos fazer por estas pampas, quanto vale a paz, a simplicidade voluntária. A presença do grande espírito está aí, na natureza do índio, sem facebook nem whatshapp, sem computador nem smartphone, de alma e corpo nus, para nos mostrar como será nosso futuro.



Esse futuro que está muito mais perto do que a gente imagina, esse dia próximo quando, como nos anunciou Caetano, um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante, de uma estrela que virá numa velocidade estonteante e pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante, depois de exterminada a última nação indígena e o espírito dos pássaros das fontes de água límpida mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias.

Veremos aí sim, um índio preservado, em pleno corpo físico, em todo sólido, todo gás e todo líquido, em átomos, palavras, alma, cor, em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico. Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico, do objeto -sim, resplandecente- descerá o índio e as coisas que eu sei que ele dirá, fará não sei dizer assim de um modo explícito. 

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos, surpreenderá a todos não por ser exótico mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio... Aquilo que hoje está diante e por trás de nosso nariz e não conseguimos ver ainda. Mas chegaremos a ver. Não o índio mas nós mesmos, por inteiro. Esse dia saberemos que o Dia do Índio não e apenas cada 19 de abril, senão que todo dia é dia do índio, todo dia é dia de nós. Em nossa essência, somos todos índios.


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Um artista do novo paradigma

domingo, 12 de abril de 2015


Estas Tonne é algo mais que o nome próprio de uma pessoa. É o nome de um fenômeno singular, um artista dos novos tempos que estão chegando aí. Para definir o que este virtuoso violonista de origem ucraniano tem de particular fica mais fácil contar o que ele não tem. Ele não tem contrato com um selo que grave seus trabalhos, não tem um agência de publicidade que construa sua imagem, não tem um marketineiro que organize a venda de seus produtos e a apertura de mercados, não tem um agente de prensa para fazer press-releases,  não tem um empresário que gerencie sua carreira. Até porque ele não tem uma carreira, não gera produtos, não procura mercados, não se preocupa com sua imagem, não da bola para a imprensa nem precisa que ninguém grave sua música que qualquer um pode acessar gratuitamente em diversos sítios da internet.

Estas Tonne não atende nenhum dos preceitos nem conceitos do atual paradigma materialista-capitalista-produtivista-consumista que ainda sobrevive graças aos aparelhos de respiração artificial acionados cada dia pelo globaritarismo vídeo-financeiro. E no entanto, ele é famoso, recorre o mundo de mãos dadas com seu violão; seus vídeos no Youtube registram milhões de visualizações; é requisitado para somar sua música a espetáculos de poesia, teatro, dança, filmes; é convidado para participar de diversos festivais assim como de concertos pessoais. 

Calado, transformando o pensamento em silêncio, falando só através de seu violão, Estas é, basicamente, um artista de rua, e é na rua onde ele desenvolveu e continua desenvolvendo sua arte, numa versão moderna dos antigos trovadores medievais. Nesse vídeo você pode apreciar esse espírito. 



Fazendo um exercício de total liberdade artística, não se identifica apenas com um país ou uma nação, mas sim com a riqueza cultural do mundo e sua proposta é uma reflexão das mais variadas abordagens musicais, fusão de estrutura clássica, técnica do flamenco, raízes de música cigana e ritmos latinos.

Mas não é apenas esse espírito de unidade na diversidade ou essa criativa fuga dos padrões culturais da Matrix o que lhe faz uma expressão do novo paradigma. Ele toca seu violão seguindo os ensinamentos dos sábios: com pura intenção. Ele não toca com o intuito de ganhar dinheiro ou de obter fama -mesmo que, como conseqüência natural, isso aconteça. Sua única intenção é tocar, emanar através de sua música vibrações energéticas de alto grau que mexam com a alma das pessoas. O resto é a vida que vai fluindo e ele vai fluindo com a vida.

O milagre do voo interior
Tal vez por isso, ele mesmo se surpreenda com os resultados de suas viagens pelo mundo e pelos diversos eventos e os sinta como verdadeiros milagresTocando em festivais de meditação, retiros de ioga, festivais de rua, concertos, institutos de saúde mental, casas de idosos, pequenas reuniões caseiras ou grandes festas, ele disse não se importar com o que acontece em torno de cada lugar mas em ficar com a energia de cada experiência para abrir o caminho a seu voo interior. "Às vezes, é muito desafiador, mas sempre benéfico. Eu ainda não tenho ideia o que eu faço durante estas sessões, uma vez que se tornam muito mais do que a música. Vejo que o que acontece não é em volta da música e, certamente, não é em volta de mim mas em tudo o que está envolvido no processo, seja visível ou invisível".    

Um dos preceitos deste músico é ser um artista completamente independente. Assim, todos seus álbuns estão disponíveis gratuitamente no Bandcamp.  A internet tem muito a ver com este tipo de experiência libertadora que permite aos artistas fazer seus trabalhos sem os condicionamentos das estruturas comerciais que até agora sempre lucraram com a arte sem ter nada a ver com ela. E nesse sentido, a Web colabora com a projeção dos novos paradigmas.

Virtuoso, espiritual e carismático, Estas Tonne espalha pelo mundo uma mensagem inspiradora da nova consciência, encantando audiências desde a América à Índia, do Médio Oriente à Europa. Seu estilo de guitarra, único e marcante, toca profundamente os ouvintes, especialmente aqueles que testemunham a intensidade de sua música ao vivo. Quer saber porque? É só clicar no play...


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Roda viva

sexta-feira, 3 de abril de 2015

"... Fêmea nua, fêmea negra,
Lençol de óleo que nenhum sopro enruga, 
óleo calmo nos flancos do atleta, nos flancos dos príncipes do Mali.
Gazela de adornos celestes, as pérolas são estrelas sobre a noite da tua pele.
Delícia do espírito, as cintilações de ouro 
sobre tua pele que ondula à sombra de tua cabeleira.
Dissipa-se minha angústia, ante o sol dos teus olhos.
Mulher nua, fêmea negra,
Eu te canto a beleza passageira para fixá-la eternamente..."
(de um poema do senegalés Leópold Sédar Senghor, 1906-2001)
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