O rapaz que não para de nascer

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


* Por Alú Rochya

Se alguma coisa faltava-lhe a John Lennon para coroar uma vida agitada, polêmica -e até cruel em certas passagens- era um final trágico. Aquela noite do 8 de dezembro de 1980, o mundo todo ficava estremecido com a inacreditável notícia. Em Nova Iorque, o mais irreverente e indomável dos Beatles era assassinado às portas do edifício Dakota, onde morava. Segundo conta a história que ficou oficializada, bem aí, em frente ao Central Park, quando voltava para casa, um cara chamado Mark David Chapman o encarou e, apontando-lhe com um revolver Smith & Wesson calibre 38, lhe descarregou 5 tiros. 4 balas acertaram seu corpo mas nenhuma atingiu sua alma. E a tragédia lhe fez, definitivamente, imortal.

40 anos antes, o dia 9 de outubro de 1940, John Winston Lennon dava seu ar de graça por este mundo. Escolheu descer em Liverpool, que tinha sido uma pacata vila de pescadores que com o tempo se transformou em um grande e próspero porto do Reino Unido, razão pela qual na segunda guerra mundial recebeu dos alemães terríveis ataques aéreos.

Desde então e até hoje aviões militares não param de lançar bombas em algum lugar do mundo mas, como compensação, Lennon não para de nascer. Seja no ponto que seja do planeta, cada dia alguém canta uma música sua; edita um vídeo resgatando sua imagem; mergulha na sua biografia. Aqui ou acolá, alguém bota no ar um programa especial de radio ou de tv; cita uma frase sua; compra um CD ou DVD com sua voz; veste uma camisa com o seu rosto; rascunha o roteiro de um documentário; ou, então, simples e anonimamente, deposita umas flores frescas no memorial do Central Park, rogando -como ele clamava-  por uma chance pra a paz. 

Na mais distantes aldeias  do globo relatam sobre ele histórias das quais foi protagonista exclusivo e outras nas que jamais participou. Umas e outras vão construindo o mito. De um modo ou outro, milhões de seres da mais variada idade, sem diferencia de etnia, cor, gênero, língua, crença ou ideologia se fazem parteiros virtuais, que dia após dia continuam a trazer a luz do espírito vital e expansivo de John Lennon, que não para de emitir suas ondas de amor e beleza.

John gostava de chacolhar o corpo da humanidade, tirá-lo de sua letargia, dessa preguiçosa maneira de passar pelo planeta que tem os seres humanos, esse absurdo jeito de desperdiçar a irrepetível oportunidade de descobrir maravilhas e se descobrirem maravilhosos. Na verdade, ele era um xamã, um orixá-guia, um faro iluminando mentes e almas, convocando aos humanos a acordar, a despertar da sonolência suicida da inconsciência, a assumir a responsabilidade de cada um se fazer cargo de si próprio, de seu destino, de seus talentos, de seus poderes. Em definitiva, nos conclamava a encarar a bela tarefa de realizar a lenda pessoal.

Se olharmos nele apenas um grande músico ou um artista transgressor, rebelde, iconoclasta, o estaríamos fazendo com uma  visão míope, estreita, pobre. Em rigor, Lennon era um espírito altamente evoluído, enviado do além  para nos ajudar com sua obra em nossa própria evolução pessoal.

John pertence à linhagem espiritual das entidades que aqui foram conhecidas sob os nomes de Beethoven, Shakespeare, Mozart, Michelangelo, Leonardo da Vinci, Madre Tereza, Osho, Krishnamurti, Gandhi, Mandela, entre tantos outros. O mesmo que eles, John renasce cada dia com sua obra no coração de todos aqueles que procuramos -às vezes até com desespero- por mais luz, mais luz, mais luz em nosso caminho de aprendizagem e ascensãot 



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O jogo divino do Chaves

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Chaves, nossa criança interior


*Por Alú Rochya

O espírito e a alma de Roberto Bolaños ou, como melhor o conhecemos, o Chaves, estão caminho de casa. Sabemos -mesmo que geralmente não o lembremos- que não somos de cá mas de lá. E pra lá é que ele partiu. Porém, graças à divina tecnologia, Chaves e sua turma continuarão por cá ainda por um bom tempo, fazendo a festa de meninos, adolescentes, adultos e até idosos. Televisão mediante, pode se dizer que o Chaves segue e seguirá por aqui tão vivo quanto sempre.

Assim será, sim. Mas como se consegue essa perpetuidade? O que é aquilo que fez que um programa da década de 1970, singelo e de baixíssimo custo, sem palavrões, sem peitos nem bundas pra fora, sem prêmios, sem alardes de produção, sem violência nem manipulações maniqueístas continue seduzindo a públicos tão diversos, batendo recordes de audiência

Sem dúvidas que há causas óbvias. Na infância há denominadores comuns, a gente sente-se unida com outras crianças e a fantasia nos blinda das absurdas condições de uma realidade onde as pessoas parecem estar em guerra o tempo todo. Todos sabemos que, de um jeito ou outro, quando criança fomos alguma coisa parecida com o Chaves, com o Quico, com a Chiquinha.

Ao mesmo tempo que nos leva a voar nessa fantasia de nosso saudoso mundo infantil, Chaves atesta a pobreza e o abandono reais de milhões de crianças em América, esperançosas na chegada de um Chapolim que as salve de todo mal. E nesses dados podemos achar razões para o poder de atração da proposta.  

Porém, tem alguma coisa a mais. No fundo existe uma empatia singular, um laço indestrutível que nos une a Chaves. Qual o segredo? Em boa parte, é revelado pelo próprio Bolaños quando sinaliza que “Chaves, ainda que carecendo de quase tudo, é otimista, aproveita a vida, brinca, se emociona e tem o maravilhoso dom que é a vida”.



Acho que aquilo que nos une a Chaves não é o que está por fora senão o invisível, o que não enxergamos mas sentimos, alguma coisa essencial que nos revela e nos faz reconhecermos antes que pessoas como espíritos. No tempo da criancice a gente ainda está aqui com boa parte das memórias de lá, lembrando que somos um espírito com uma alma-guia. E nos comportamos de maneira mais livre, sem os condicionamentos que nos impõe a sociedade. Podemos ver as carências materiais porém como nos sentimos espíritos as limitações materiais nos resultam relativas e compreendemos algo que não deveríamos esquecer quando adultos: a vida é um presente maravilhoso e uma grande brincadeira, que nos possibilita apreender muita coisa de nós mesmos, abrindo o caminho de nossa evolução.

Na vila de Chaves falta comida mas sobram valores (caráter, compaixão, solidariedade, honestidade), falta luxo mas tem simplicidade, carinho e alegria. Demostra-se que a verdadeira experiência humana, a passagem por este planeta, não visa objetivos materiais senão espirituais, intangíveis, transcendentais. Aprendizados, sentimentos, sentidos de vida, coisas que, sim, poderemos levar conosco quando deixemos o mundo.

Bolaños soube dotar Chaves de uma criança interior - que não é outra coisa que a alma- e fazer que essa criança fosse a guia da sua ação. Intuitivamente, sabemos que é precisamente isso o que temos de fazer: agir com as habilidades e possibilidades do adulto guiados por nossa criança interior, atendendo os ditados de nossa alma. E é isso o que Chaves nos mostra o tempo todo. Nos desafiando a aceitar a vida sem dramatismos, na brincadeira, com humor, guiados por aquilo que os hindus chamam de lila, o jogo divino do autoconhecimento. E por isso, admiramos e queremos tanto a Chaves, porque ele nos ajuda a manter viva nossa criança interior e assim poder intuir que a vida tem um sentido e que vale a pena vivert 
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