Sanando minha alma

quarta-feira, 3 de outubro de 2018


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Quién será mi relevo?...

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Paris, 22 de maio de 1924 — Mouriès, 1 de outubro de 2018

Descendeu em Paris, em primavera, no seio de uma família de artistas armênios imigrantes e foi batizado como Shahnour Vaghinagh Aznavourian. Um pouco pela tradição familiar e um pouco pela fome, começou sua carreira como Charles Aznavour aos 9 anos de idade. Assim, quando ontem morreu, aos 94, tinha totalizado 85 anos de carreira, sendo consagrado por uma pesquisa do canal CNN e a revista Time como o cantor mais importante e popular do século 20. 

Cantor, compositor, escritor, ator Aznavour atuou intensamente no cinema, participando de mais de 60 filmes,vendeu mais de 180 milhões de discos, compôs mais de 1000 músicas, gravou mais de 1200 em oito idiomas, lançou 91 álbuns e mesmo assim não se considerava uma estrela, mas “um trabalhador incansável da canção” ou, como disse numa entrevista recente “um dos últimos artesãos da canção”.

Reconhecido mundialmente francês, assumia e respeitava a nacionalidade do país que balançou seu berço, porém, fazia questão de salientar que "a Armênia e os armênios estão no meu coração e no meu sangue". Assim, comovido pelo arrasador terremoto que atingiu o norte de Armênia em 7 de dezembro de 1988, matando dezenas de milhares e deixando centenas de milhares de desabrigados, Aznavour lançou a iniciativa Aznavour pour l'Arménie. Por 30 anos, seus esforços humanitários permitiram a implementação de diversos programas solidários de energia, vivenda, educação, construção, alimentação, etc. auxiliando a centenas de miles de armênios.

Em reconhecimento a essa labor, em 2004, recebeu o título de Herói Nacional de Armênia, outorgado pelo governo desse país e em 2008 lhe concederam a nacionalidade armênia. Também tinha sido designado embaixador na Suíça e embaixador de Boa Vontade e Delegado Permanente da Armênia na UNESCO.

No atual momento, no qual a experiência perturbadora da imigração estrangeira é alvo de duras polêmicas nos países europeus, a vida vivida por Charles Aznavour se converte num paradigma. Quando a França lhe condecorou com a Ordem da Legião de Honor, estava reconhecendo o tanto que esse personagem fez pela cultura francesa, pelo prestígio do país mundo afora e, claro, pelo honor da república gala. Um imigrante, pobre e quase analfabeto, fez pela França o que poucos franceses tem feito. E isso não lhe impediu fazer também o tanto que fez pela Armênia, juntando assim o primeiro e o último mundo num abraço cheio de amor, sem alarde, sem ostentações, mostrando e demonstrando que os passaportes que certificam essa ou aquela nacionalidade vão se convertendo num documento obsoleto que pouco e nada dizem ao respeito do espírito humano e dessa busca, ainda intuitiva e míope, do grande encontro revelador, vivificante e refundador com o outro diferente e, no em tanto, tão semelhante.

Mesmo desde seu 1,60m de altura, Charles Aznavour conseguia preencher os palcos com uma presença transcendental, com a mesma estatura espiritual que lhe permitiu elevar-se por cima de todas as desarmonias da vida, derrubando todo tipo de fronteiras, surcando o mundo com a determinação de um durão porém sem perder a ternura jamais.

Quem será seu relevo?... Ninguém. Charles Aznavour é do tipo de homem único. O último crooner, o último romântico da canção francesa. Um cara irremplazável, um espírito especial que aqui na Terra ensaiou uma parábola incomum, rica, irrepetível e que, agora, atravessa o Céu voltando para casa, navegando na paz inigualável do dever cumprido. Boa viagem, amigo.     



Quién, cuando ya no aliente
silenciosamente, llegará hasta ti
y como el olvido
ya te habrá vencido
le dirás querido
al igual que a mí

Quién borrará mis huellas
y encendiendo estrellas
en la oscuridad
abrirá balcones
romperá crespones
y pondrá canciones
en tu soledad

Quién será mi revelo
quién te va a convencer
quién volverá de nuevo
a reinar en tu ser

Quién cuando ya me ausente
va a cruzar el puente
que mandé cerrar
y pondrá colores
en tus sinsabores
y te hará olvidar
pronto mi pesar

Yo tengo el doble de tu edad
más no me importa sucumbir
a ver de cara la verdad
del porvenir.
No vistas luto por mi amor
pues no me gusta ser cruel
y sé que nunca ese color
le fue a tu piel

Quién cuando yo me vaya
llegará a tu playa un anochecer
y pondrá su empeño
en velarte el sueño
y lo harás tu dueño
casi sin querer

Quién besará tu pelo
y en tu negro duelo
te pondrá un clavel
Y ya diferente te verá la gente
nueva y sonriente
como un cascabel

Quién viene a suplantarme
Quién dime dulce bien
Quién trata de borrarme
Quién amor en tu sien

Quién por sustituirme
y por destruirme sin contemplación
romperá en pedazos
todos nuestros lazos
y sin compasión,
mi propio corazón.
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